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Brasil sai do Mapa da Fome da ONU, mas insegurança alimentar ainda preocupa

Após anos de retrocesso, país volta a cumprir critério internacional; especialistas alertam que o combate à fome ainda não acabou

Brasil foi oficialmente retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), conforme anunciado nesta segunda-feira (28), durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, realizada em Adis Abeba, na Etiópia. A decisão foi baseada na média de 2022 a 2024, em que o país registrou menos de 2,5% da população em situação de subnutrição — patamar mínimo exigido para sair da lista.

Essa é a segunda vez que o Brasil atinge esse marco. A primeira foi em 2014, mas o país voltou ao mapa em 2020, em meio à crise econômica, cortes em políticas sociais e os impactos da pandemia de Covid-19.

Nos últimos dois anos, programas de distribuição de renda, incentivos à agricultura familiar e fortalecimento de redes de segurança alimentar contribuíram para a queda expressiva da fome extrema. Apenas em 2023, a insegurança alimentar grave caiu 85%, passando de 17,2 milhões para cerca de 2,5 milhões de pessoas, segundo dados do próprio governo brasileiro.

Apesar do avanço, a fome ainda não é um problema superado. Estima-se que mais de 13% da população brasileira ainda viva em insegurança alimentar moderada ou grave, ou seja, com acesso instável a alimentos de qualidade. A situação é especialmente preocupante em comunidades rurais, periferias urbanas e regiões do semiárido.

Especialistas destacam que a saída do Mapa da Fome é uma vitória importante, mas não definitiva. “É um passo simbólico, que mostra que políticas públicas funcionam. No entanto, a segurança alimentar plena exige ações contínuas, integradas e estruturais”, afirma a pesquisadora Ana Carolina Salles, do Observatório da Alimentação.

O governo federal já declarou que pretende manter os esforços para erradicar a fome até 2030, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Programas como o Plano Brasil Sem Fome e a ampliação do acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estão entre as estratégias em andamento.

Enquanto o país comemora a conquista, o alerta permanece: sair do Mapa da Fome não significa que todos têm o que comer — apenas que a fome extrema atingiu um nível abaixo do critério internacional. O desafio, agora, é garantir comida no prato de forma justa, saudável e duradoura para todos os brasileros.

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Marcony Pereira

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