Esquema de funcionários-fantasmas em gabinete de ex-deputado de PE desviou pelo menos R$ 2,8 milhões, diz polícia

A operação deflagrada pela Polícia Civil, nesta quarta-feira (15/04), pretende avançar nas investigações de um esquema de rachadinha e funcionários-fantasmas desenvolvido no gabinete de um ex-deputado estadual que atuou na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Entre 2015 e 2019, teriam sido desviados pelo menos R$ 2,8 milhões, segundo a investigação.

O inquérito policial indicou que mais de 30 contratados pelo gabinete, que recebiam salários entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais, teriam participado do esquema. O nome do ex-deputado estadual não foi revelado oficialmente pela Polícia Civil.

“Tratava-se de um gabinete do crime para desvio de verbas públicas. Os funcionários fantasmas tinham que devolver quase a totalidade dos salários. Eles ficavam apenas com R$ 300”, contou o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).

A Polícia Civil começou a investigar o esquema de rachadinha em 2023, após o compartilhamento de provas de outro processo que estava sob responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), que apurou o desvio milionário de recursos públicos em obras de requalificação da BR-101, no Grande Recife.

O delegado Juliano Ferronato identificou que a organização criminosa responsável pela rachadinha no gabinete do ex-deputado estadual tinha uma divisão de tarefas definida.

“Verificou-se que o núcleo que operava o desvio era composto por oito membros, incluindo dois líderes políticos, operadores financeiros e operadores materiais, responsáveis pela logística da arrecadação e dos saques dos salários dos servidores para o repasse dos demais operadores líderes do esquema”, disse.

O outro líder político a que o delegado se refere também é ex-deputado estadual e, à época dos fatos, já não atuava mais na Alepe.

“Para que o esquema fosse alimentado, havia um operador financeiro que movimentou valores extremamente relevantes, cerca de R$ 200 mil a R$ 2 milhões. Ele o elo entre as lideranças e os executores materiais do esquema: escolhia as pessoas, cobrava, por vezes exigia [o dinheiro]”, explicou o delegado.

A suspeita da polícia é de que o esquema tenha gerado um prejuízo que pode chegar a R$ 6 milhões, caso os desvios tenham continuado até 2024.

Compartilhe:

Deixe um comentário