A ex-presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb em Afogados da Ingazeira, Izilda Sampaio de Sousa Lira, divulgou uma carta aberta em que denuncia ter sido alvo de uma articulação para deixar o colegiado antes do fim do mandato.
No texto, ela afirma que a decisão partiu do Rotary Club de Afogados da Ingazeira, entidade que ocupava a vaga no conselho, e atribui o movimento a interesses contrariados por sua atuação na fiscalização dos recursos da educação básica. “A pedra no sapato foi removida”, diz ela na carta.
Izilda diz que presidiu o conselho com independência, imparcialidade e compromisso com a legalidade, destacando que sempre cobrou transparência na aplicação das verbas do Fundeb. “Os incomodados agora estão livres do olhar crítico, dos questionamentos e da fiscalização rigorosa que sempre exerci”.
Na carta, ela também informa que outros três conselheiros representantes da sociedade civil pediram desligamento, em meio a divergências sobre pareceres e à condução dos trabalhos no colegiado.
**CARTA ABERTA**
Caros Afogadenses,
O Rotary Club de Afogados da Ingazeira (PE), por decisão unilateral de seu presidente, que é esposo de uma funcionária comissionada da Secretaria Municipal de Educação, renunciou ao assento que o Clube ocupava no **Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação – Cacs Fundeb**, antes do término do mandato.
Por indicação desse Clube, eu ingressei no Conselho do Fundeb em 2023, lá fui eleita por unanimidade para presidir o colegiado. Durante esses três anos e meio, exerci minhas atribuições com independência, imparcialidade e a estrita observância da legalidade, sempre comprometida com a fiscalização da correta aplicação dos recursos públicos, destinados à educação básica.
Em nenhum momento deixei de cumprir meu dever legal de defender a transparência e o interesse público, mesmo contrariando interesses. Por fim, registro que aqueles que se incomodavam com minha atuação podem ficar tranquilos: a “pedra no sapato” foi removida. Fiz o ofício solicitando meu desligamento, já que a manobra efetuada para me substituir, não surtiu efeito. Os incomodados agora estão livres do olhar crítico, dos questionamentos e da fiscalização rigorosa que sempre exerci. Sigam, portanto, com o caminho desimpedido para administrar os recursos da educação básica, conforme entenderem. Durante este período os dados da educação municipal foram levados ao conhecimento da sociedade e cabe a ela seguir vigilante. Quanto a mim, permaneço com a consciência tranquila de quem cumpriu seu dever, sempre pautada pela legalidade, pela transparência e pela defesa do interesse público, o que não é tarefa fácil. Informo também, que além de mim, mais três conselheiros representantes da sociedade civil, também apresentaram suas cartas de desligamento, não por medo da luta, mas por não concordarem com pareceres seletivos, que não espelhassem a clareza dos números, como era o desejo de alguns. Finalizo agradecendo as inúmeras manifestações de solidariedade que eu venho recebendo.
Atenciosamente,
**Izilda Sampaio de Sousa Lira**
**Ex-presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB.**