Bolsa Família impõe dilema a Flávio, e campanha busca saída para criticar Lula sem atacar reajuste de 15%

Campanha do candidato do PL tenta questionar o momento escolhido pelo governo para anunciar a medida sem passar a mensagem de oposição ao benefício social.

O reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) diante de uma estratégia delicada: atacar o adversário pelo momento da medida sem direcionar as críticas ao aumento recebido pelos beneficiários.

O aumento foi anunciado nesta quinta-feira (17), a 17 dias do primeiro turno das eleições. O piso do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro.

Flávio reagiu dizendo que a decisão é “ilegal” e acusou Lula de usar o reajuste por razões eleitorais. Durante ato de campanha em Vitória da Conquista, na Bahia, o candidato afirmou que o Bolsa Família será mantido caso seja eleito.

“O Bolsa Família está garantido, ninguém vai tocar nesse benefício de vocês”, declarou.

Nos bastidores, aliados avaliam que uma ofensiva direta contra a medida poderia permitir que a campanha de Lula associasse Flávio a uma eventual redução ou retirada do benefício. Segundo a CNN Brasil, a equipe jurídica do candidato decidiu não questionar o reajuste no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), justamente para evitar esse tipo de reação política.

De acordo com O Globo, integrantes da campanha discutem como concentrar as críticas no momento escolhido pelo governo para anunciar o aumento, preservando a defesa da continuidade do programa.

O governo afirma que o percentual de 15% corresponde à reposição da inflação acumulada pelo INPC desde 2023. Segundo o Ministério do Planejamento, a medida terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, com recursos previstos dentro do espaço fiscal do Orçamento.

O tema também traz para o debate a eleição de 2022. Naquele ano, durante o governo Jair Bolsonaro, o Auxílio Brasil teve seu valor elevado de R$ 400 para R$ 600 meses antes da eleição presidencial.

Compartilhe:

Deixe um comentário