Anvisa discute liberação da vacina infantil para seis meses a quatro anos

A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reuniu, nessa quinta-feira (18), com especialistas e representantes da Pfizer para apresentar dados de eficácia e segurança da vacina Comirnaty para crianças na faixa etária de seis meses a quatro anos de idade e responder às dúvidas do grupo.

Em uma etapa da reunião, os especialistas já iniciaram as discussões com a equipe técnica da Agência sobre os dados mostrados. Até a próxima semana a agência receberá os pareceres auxiliares de avaliação dos especialistas sobre o pedido de liberação do imunizante para a faixa etária.

Essa é uma estratégia que o órgão tem utilizado desde o início das análises para os imunizantes infantis contra a Covid-19. Hoje, a vacinação ocorre em crianças até os quatro anos de idade, que tem sido prejudicada pela falta de imunizantes de algumas marcas.

O grupo que participou da análise envolve representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

*Com informações do Diário de Pernambuco.

Covid-19: Pernambuco autoriza o início da vacinação de crianças com 4 anos de idade

Crianças com 4 anos de idade já podem ser imunizadas contra a Covid-19 em Pernambuco.
A recomendação da utilização do imunizante da Coronavac/Butantan foi discutida pelo Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação e pactuada com os gestores municipais, nessa segunda-feira (18/07), após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A decisão de iniciar a imunização das crianças com quatro anos visa garantir a aplicação das duas doses desse público, diante do baixo quantitativo de estoque e a incerteza quanto à expectativa de envio de novos quantitativos pelo Ministério da Saúde (MS). As crianças com 5 anos seguirão sendo vacinadas com doses da Pfizer, conforme decisão anterior da Anvisa.
No Estado, o público estimado é de 154.355 pessoas com 4 anos de idade e 149.786 crianças com 3 anos. Os gestores municipais informaram ao Programa Nacional de Imunizações (PNI-PE) possuírem em seus estoques um total de 323.452 doses do imunobiológico da Coronavac/Butantan. As doses devem ser utilizadas para proteção em primeira e segunda aplicação, com intervalo de 28 dias entre elas.
“Ainda com a incerteza do recebimento de novas doses pelo Ministério da Saúde, nosso maior desafio neste momento é garantir que as crianças com 4 anos de idade tenham seu esquema básico completo, com o recebimento das duas doses do imunizante. Já realizamos levantamento junto aos gestores municipais de seus estoques e já identificamos cidades com quantitativo suficiente, outras com doses excedentes e ainda aquelas que não tem vacina suficiente para esse novo público. O PNI está em contato com as cidades, com as Gerências Regionais de Saúde (Geres) e com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco (Cosems) para realizar o esforço operacional necessário para que os municípios com menos doses possam ofertar o imunizante para sua população”, destacou o secretário estadual de Saúde, André Longo.
“É importante frisar, que o Ministério da Saúde liberou o início da vacinação das crianças com as doses disponíveis nos estoques de cada município. O PNI Estadual já encaminhou para o Ministério as informações repassadas pelos gestores municipais, e, esperamos saber ainda esta semana como o órgão federal irá se posicionar quanto ao andamento da campanha”, reforçou a superintendente de Imunizações do Estado, Ana Catarina de Melo.
A superintendente chamou atenção ainda para a necessidade de ampliação da cobertura vacinal para crianças entre 5 e 11 anos de idade. “Apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19 em uma nova faixa etária, a nossa cobertura vacinal para segunda dose do público formado por crianças entre 5 a 11 anos ainda é muito baixa. Até o momento, 32,68% desse público está com o esquema básico completo (386.472 doses aplicadas), quando a meta mínima é de 90%. Estamos avançando e oferecendo a proteção para mais crianças, porém não podemos esquecer dos públicos anteriormente autorizados”.

Estudo reafirma importância da vacina contra Covid-19 para crianças e adolescentes

Uma pesquisa realizada em conjunto pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apontou redução do número de óbitos por Covid-19 entre adolescentes de 12-17 anos, durante o período mais crítico da epidemia em 2022 e substancial aumento em menores de 12 anos, principalmente nos menores de 5.

O padrão se repete em junho de 2022, na vigência da quarta onda de contágios, devido à falta de acesso das crianças à vacinação.

“Nos adolescentes de 12 a 17 anos, vacinados ainda em 2021, observamos uma queda significativa de 40% na mortalidade por Covid-19 no período mais crítico da terceira onda, de 23 de janeiro a 12 de fevereiro de 2022, em comparação com o período mais crítico da segunda onda (14 de março a 3 de abril de 2021)”, explica o epidemiologista da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana.

Segundo ele, nas crianças de 5-11 anos, houve aumento de 74% na mortalidade por Covid-19, comparando o período mais crítico de 2022, com o pior de 2021.

“Esse padrão de aumentos nas mortes de crianças se repetiu e foi de 82% naqueles de 2-4 anos e de 54% em crianças de 0-1 ano de idade. Portanto, nas crianças, as taxas de mortalidade foram iguais ou piores do que em fases anteriores da epidemia, se contrapondo ao registro de queda consistente e forte dos adultos, reforçando não só a efetividade da vacina contra Covid-19, mas também a importância do seu uso oportuno e massivo”, afirma Orellana.

A amostra final avaliada foi de 408.120 registros de mortalidade, com 0,34% (1.407 óbitos) ocorrendo antes dos 18 anos e 64,6% (263.771) naqueles com 60 anos e mais.

“Observaram-se padrões opostos na mortalidade por Covid-19 no Brasil, com crianças majoritariamente não vacinadas ou insuficientemente protegidas pela vacinação em massa de um lado e apresentando taxas de mortalidade iguais ou maiores do que em fases anteriores da epidemia e, de outro, consistente e forte padrão de queda em indivíduos incluídos na campanha nacional de vacinação”, analisa Orellana.

O pesquisador salienta que o impacto da mortalidade por Covid-19 em crianças segue aumentando no Brasil, sobretudo naquelas que ainda não foram vacinadas. Durante o levantamento, outro ponto importante identificado foi o da forte queda da mortalidade em adultos no Brasil, muito provavelmente devido ao efeito protetor das vacinas e mesmo em contexto de ampla circulação da variante de preocupação ômicron, muito mais contagiosa do que versões originais do novo coronavírus.

Além de Jesem Orellana, assinam o estudo os professores Lihsieh Marrero, da Escola Superior de Ciências da Saúde da UEA, e Bernardo Lessa Horta, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (RS).

O artigo Mortalidade por Covid-19 no Brasil em distintos grupos etários: diferenciais entre taxas extremas de 2021 e 2022 foi aceito para publicação e em breve estará disponível na íntegra, na revista Cadernos de Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/ Fiocruz).